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Entrevista Fernando Mascaro
Escrito por Guilherme
Seg, 05 de Julho de 2010
Por Guilherme Dorini
A seção de entrevistas do Portal Design PVC está de volta. O entrevistado desta vez é o designer Fernando Mascaro, reconhecido nacionalmente e internacionalmente por seu trabalho e por suas sábias atitudes de sustentabilidade.
Fernando é uma pessoa que se dedica a pesquisar o design como ferramenta para negócios sustentáveis com foco em processos industriais, isto é, fazer mais com menos de maneira simples, utilizando a menor quantidade possível de recursos materiais e energéticos, ajudando a democratizar o acesso ao design e satisfazendo as necessidades de consumo de forma amigável e respeitosa ao meio ambiente sem que seja preciso acabar com o consumo.
Confira o bate-papo que tivemos com o designer:
1. Gostaríamos que você comentasse a relação entre Design x Sustentabilidade.
Então, o discurso sobre design é longo, amplo e apaixonante, portanto, vou tentar focar no "desenho industrial" que é o que mais tenho discutido ultimamente com alguns colegas e alunos de graduação... vamos lá... Design x Sustentabilidade... uma coisa não sobrevive sem a outra, é uma relação de "cuore e anima", de forma que não mais é possível pensar design sem que ele seja sustentável, nem sustentabilidade sem a ação do design... e aí, puxo para nós, designers, o papel de agentes disseminadores de novos padrões de consumo sem a necessidade de acabar com ele como muitos mais exaltados pregam... como "criadores de bens de consumo e serviços", sejam eles duráveis ou efêmeros, temos a responsabilidade de concebê-los para que tenham uma relação amigável com o planeta e que respeitem o tripé "negócios/sociedade/meio ambiente"... nada que seja complexo, aliás, design sustentável é algo extremamente simples. 2. Nos desse um panorama do Design Brasileiro no Mundo.
Os designers brasileiros tem um lugar de destaque neste contexto, pois, ajudaram a acabar com aquela imagem "torta" de que design brasileiro precisa ter araras, papagaios, tamanduás, asas de borboletas, objetos de barro, folhas de bananeiras, índias peladas, futebol, verde-e-amarelo, enfim, aquela imagem que se tinha do Brasil lá fora... há anos todos sabem que nossa capital não é Buenos Aires... Nas diversas mostras internacionais a presença de designers e do design brasileiro tem se intensificado a cada ano... um ótimo sinal que confirma estarmos caminhando para uma linguagem mais abrangente sem perder de vista nossas origens, no plural mesmo, pois, somos um país multiétnico, multicultural, multiidéias, multitudo... é isso o que nos garante o reconhecido "jogo de cintura" ou "savoir faire" como dizem os francófonos... temos uma incrível capacidade criativa.
O design brasileiro é reconhecido lá fora por sua competência em contemplar os mais diversos olhares sem que sejamos vistos como produtores de coisas exóticas.
3. Quais os mercados da área de Design que estão em evolução?
Todos os mercados estão em constante ebulição... são chaleiras apitando a todo vapor... temos excelentes nomes e muitos deles trabalhando intensivamente na indústria, mas ainda temos uma grande carência de profissionais para projetar para a produção seriada de baixo custo... basta você entrar numa loja de R$1,99 e o que se vê? Um enorme potencial de mercado absolutamente à margem dos acontecimentos como se tudo aquilo fosse o "resto do resto", a última parada antes do inferno, um trem fantasma de quinta categoria... então, o que é preciso evoluir é a postura do designer frente a este mercado... é sempre muito mais fácil culpar os outros... os empresários não contratam designers simplesmente porque os designers não apresentam projetos compatíveis com resultados de negócios ("design for business")... se há resultados de negócios via design, é muito mais fácil investir no social e no ambiental... enquanto houver um maior foco no design autoral, aquele de poucos exemplares e alto custo de produção e mais alto ainda preço de venda, ficaremos com um saldo devedor... mas, que fique claro que uma coisa não exclui a outra, pois, não estou fazendo apologia da pobreza... falo da democratização do acesso ao bom design mesmo que quem o compre não tenha a mínima idéia do que isto significa... bom design = bater o olho, gostar, servir ao propósito para o qual foi concebido e poder ser comprado não importa se o produto custa R$1,99 ou R$19,999,00 e, lógico, ser fiel às bases da sustentabilidade... tem que ter para todos e temos que dar mais atenção a isto... desenhar uma cadeira de R$50 é bem mais complicado do que uma de R$5.000... imagine criar um bom e belo espremedor de laranjas para ser vendido a R$5.
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