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Entrevista com Adélia Borges

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Escrito por Guilherme Seg, 27 de Setembro de 2010
Qual a relevância de um evento como a Bienal Brasileiro de Design, cuja 3ª edição acontece até 31 de Outubro em Curitiba, para o nosso país?

O Living Design fez essa e outras perguntas à jornalista especializada em Design, Adélia Borges, que assina a curadoria da Bienal.

Confira!

Qual é a importância de um evento como a Bienal Brasileira de Design para o país?

O Brasil tem um capital humano fantástico, e nós temos recursos naturais como poucos países têm no mundo. Recentemente, estão acontecendo outras duas coisas que também são hiper importantes: uma delas é o empreendedor, que está vendo o valor do design para melhorar o seu mundo, o seu desempenho e, com isso, melhorar a qualidade de vida das pessoas. A segunda coisa é que o Brasil começa a ser um país onde existem políticas públicas promovendo o design. O mundo está redefinido sua geopolítica e, com isso, o Brasil surge como um país de muita força. Hoje, não tem mais essas coisas de países periféricos e países do centro: o centro está na periferia, e a periferia está no centro. Com isso, nações em desenvolvimento como o Brasil, que estão mais a salvo das crises econômicas de agora, surgem como atores muito importantes nesse jogo global. Então, para encurtar essa longa história, com toda essa soma de fatores internos e externos, o resultado é que design brasileiro vive o seu melhor momento. Agora essa criatividade e essa inventividade típicas do brasileiro estão encontrando canais para se manifestar, graças ao crédito que está sendo dado à essa atividade pelos empreendedores. A Bienal é testemunha disso, então você encontra aqui exemplos muito inspiradores do design de todos os cantos do país, coisas muito legais assinadas com esse eixo que eu usei para selecionar os produtos: inovação (que é quase um sinônimo de design) e sustentabilidade.

Falando em sustentabilidade, este termo tem sido muito falado, principalmente relacionado ao design. Como a Bienal irá abordar esse tema?

Sustentabilidade é a grande questão do nosso tempo, que é muito falada, mas muito pouco esclarecida, e que esta se prestando a muito discurso vazio, discurso de marketing. Então, como discernir o joio do trigo? Com qual critério a gente pode trabalhar para considerar um produto ou um serviço sustentável ou não? A nossa ideia é que, com a Bienal, a gente consiga compartilhar essa questão sem respostas, sem receitas, mas trazendo exemplos muito inspiradores de caminhos possíveis.

Você falou que estamos vivendo um período muito aquecido de incentivos tanto públicos quanto privados. Quem está na frente, por enquanto, nessa questão de estar consciente da importância do design?

Olha, eu acho que estão havendo ações simultâneas. Até o momento em que o país estava fechado para o mercado internacional, para a importação de produtos, o que faz 20 anos - pouco tempo historicamente falando - por conta de uma "proteção" entre aspas, nós não havíamos nos colocado. Já existia a função da criação, já existia a capacidade, mas não se encontrava canais. E logo em 1995, o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, cria o Programa Brasileiro de Design, e a partir disso vem sendo feito trabalhos para construir esse instrumento. E o mercado se torna aquecido por essas demandas, por oportunidades e desafios que a abertura da importação trouxe, e daí aconteceu tudo ao mesmo tempo agora.

E quais são as políticas governamentais que existem agora que estão incentivando inclusive o poder privado a investir em qualidade de design?

O BNDES está com algumas ações, até de financiamento de práticas de design, e isso é uma coisa nova e muito importante. Essa Bienal é, inclusive, o resultado de uma política de estado, não de governo, o que é melhor, porque ela está tendo apoio dos governos para ser uma ação contínua. Esta é uma Bienal que parte do Ministério de Desenvolvimento e Comércio e do Ministério da Cultura, que são, digamos assim, os vetores maiores desta ideia. Então, eu acho que essa coisa de mostrar da Bienal excelente, afinal, um evento como este, seja uma bienal de design, arquitetura ou artes, serve para expor coisas boas para que com isso seja possível apontar caminhos e fazer, ao mesmo tempo um panorama do presente. A Bienal não é só um retrato; quando bem executada, ela passa a ser um indutor da atividade, o que não deixa de ser mais um incentivo à nação.

Fonte: http://monicabarbosa.com.br/?p=6036


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